Águas passadas

Às vezes me pergunto se minhas idéias não são viajadas demais e se eu deveria ver certas coisas de forma mais simples. Acontece que, em uma metáfora descobri que o importante é agir de forma simples, mesmo talvez tendo pensamentos complexos. Paralelamente consta que algumas atitudes minhas mesmo que bobas, as quais eu fiz de forma complicada, foram provenientes de pensamentos simples.

Pois então, mostrarei a metáfora paradoxal que interagirá de forma precisa neste texto.

Imaginei uma senhora idosa. Dei a ela a missão de uma viagem de barco pelo oceano como único meio de se locomover até a casa de uma filha adoecida. Esta amável mãe, entretanto, lembra o que afirmou na sua vida inteira: medo de barco, navio e tudo que se locomova sobre as águas. Ela, em estado de viuvez, passaria 8horas viajando no mar. (talvez o número seja sem coerência, mas não é a questão).  A questão é: destino, vontade, força maior. Fiz esse meu personagem sequer ir desabafar seu medo com as amigas vizinhas antes da partida. Mas tal posição desencadeou pensamentos turbulentos: tédio, dor de cabeça, enjôo, tempestade, alto mar, morte e por fim, amor a sua filha. O último item fez prevalecer à coragem sobre o medo. Esta senhora, depois de muitos anos, vivenciaria o amor se opondo de forma concreta ao medo.

Eu acharia interessantíssimo todos passarem por situações em que esse lado sentimental se opusesse de forma tão positiva assim ao lado racional.
Mas espera aí. Na verdade, talvez todos passem por situações assim mesmo, não é? E talvez todos não enxerguemos o medo que temos de algo que se apresenta diariamente a nós, e sendo assim, deixamos de lado o amor próprio (exemplo que até exclui terceiros) que deveria servir como combate.
Na minha imaginação então, eu cri que essa senhora de idade chegou à casa de sua filha a amando mais e tendo mais coragem para vê-la numa situação ruim e acreditar num final restaurador e feliz.

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4 comments so far

  1. Vinícius Antunes on

    E se ela, assustada, se jogou no mar e morreu?
    Final triste ou final feliz pros peixes que a comeram?

  2. Elke on

    Eita, que viagem. Das suas ideias, da senhorinha, do texto!!!rs

    Bem interessante!!!!!!

  3. Pedro Vinícius on

    Nunca vi ninguém escrever um texto que nem esse, parabéns pela criatividade, e gostei do blog ^^

  4. Pacheco on

    essa senhora q vc criou…foi combater seus medos pra ver a filha…mas axo q o motivo dela ter feito isto…pq a filha era o unico sentimento bom q sobrara depois da morte de seu marido.


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