Meu ano de vestibular

Acho justo eu fazer um texto sobre meu ano de vestibular depois de tudo que eu passei. Preparem-se para uma história cheia de aventuras e bichos selvagens.

spoiler do final do texto

spoiler do final do texto

Bom, não sei se vocês sabem, mas o ano de 2009 foi o ano de vestibular mais bagunçado de toda a história contando a partir da descoberta da fórmula F=m.a por Einstein ou Newton, fiquei em dúvida agora.

fui eu que inventei essa fórmula, o máximo que o einsten fez foi dar RT ok

Diferente de algumas pessoas que estudaram comigo no 2º ano, eu não sai do colégio no 3º ano pra ir pra um lugar em que você faz o terceiro ano de manhã e um pré-vestibular à tarde e chega de noite em casa sem ânimo pra estudar. Eu continuei no Colégio Gama Filho numa turma com 14 alunos.

eu era tão ruim nas aulas de laboratório de química que ninguém queria fazer dupla comigo =(

Comecei o ano sem saber exatamente o curso que eu queria fazer. Estava em dúvida entre administração e contábeis. De quebra, comunicação social-propaganda-jornalismo também tinha passado pela minha cabeça e pra facilitar minhas escolhas, muuuita gente me incentivou e disse que combinava comigo.

Mas sabe, em 2008 no meu segundo ano eu fiz a prova da UFRJ porque eu tava ligada naquele lance de “ah, é melhor fazer um ano antes pra você já ir se acostumando, pegar a manha da coisa”. Claro! Lá vou eu no meio de um feriado interromper uma viagem com ozamigues e voltar um dia antes pra fazer a bendita prova, assim, só de onda.

Morrendisono porque só tinha dormido umas 5horas, fiz a prova em menos de 2 horas de qualquer jeito. Além do mais, duas horas de prova é o tempo suficiente pra você ficar com fome e pensar em desistir. E não, eu nem tinha levado Ruffles e consequentemente nem pude tirar a atenção do meu concorrente ao lado ao abrir o pacote e fazer barulhinho. Voltando ao pensamento  iniciado nesse parágrafo: minha nota foi um desastre.

po chico me passa a 3 ai, vou te dar a borracha pra tu botar a resposta

Aí vem o ministro da Educação Leandro Hassum ops Fernando Haddad (tudo brincalhão mesmo) e resumindo faz um discurso baseado (baseado de basear-se ou baseado de doidão mesmo tanto faz) na seguinte frase: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação diga ao povo que esse ano o ENEM vai ser fase única no vestibular, o modelo de prova vai mudar, não vai precisar ser feita a decoreba ZZzZzZ”

unhas róidas = muita tensão / olheiras = madrugadas e mais madrugadas tentando entender porque eu precisava estudar campo magnético

Eu, como já estava pessimista comigo mesmo e também com peso na consciência por dormir na aula de biologia ao invés de aprender sobre a vida sexual dos platelmintos, chegar da aula de biologia e dormir em casa ao invés de estudar, chegar 9h da manhã no colégio ao invés de 7h, não ler Macunaíma e todos os outros paradidáticos pra prova de Literatura e botar a fofoca em dia com ozamigues segunda feira na aula de matemática ao invés de aprender de uma vez por todas logaritmo… Pensei: JÁ ERA MERMAO, PERDEEEEEEU PLAYBOY, PASSA, PASSA PASSA! Ops, não, não sei se passo não! = (

aula do goiabinha ops aula de biologia (juro que não era tempo livre)

Enfim, a única universidade que não aderiu ao ENEM foi a UERJ esperta que só ela, já tinha programado todo seu calendário em Março e quando o Hassad veio com essa idéia ela logo deu Block e ainda reportou como Spam.

A UFRJ quis dar uma de estrelinha e ficou de mimimi na novelinha de fazer uma fase só dela além do ENEM, o que me dava a leve impressão de que não foi TÃO inútil assim eu fazer a prova em 2008.  Finalmente foi decidida a data da prova discursiva: em Janeiro. (detalhe: você fazia a prova sem saber se tinha passado na 1ª fase caso contrário sua prova não era corrigida o que gerou um índice de falta de 46% e me facilitou muito, OBRIGADA MÃE, OBRIGADA PAI, OBRIGADA XUXA!).

pelo menos eu tinha idéias legais na aula de laboratório VIU e se você não gostou mostrei pra professora ela gostou isso que importa

A UFRRJ eu não me interessei muito em saber, pois não iria pra lá mesmo e a prova da UFF eu nem fiz também (no meio do sufuco me arrependi de não ter feito) pois as chances de eu ir pra lá caso passasse eram quase iguais a minha esperança de passar. Serião. Pode me chamar de drama queen, nem ligo.

pedi revisão de prova mesmo to nem ai se abaixarem minha nota processo o fernando haddad e o sarney juntos

Saiu a nota da UERJ. A minha nota foi igual ao mínimo de pontos do ano anterior (2008). Comemorei. Grande erro. Saiu a classificação da UERJ bem na hora que eu tava desligando o computador pra viajar com minha família e com minha miguxa Vanessa. Ela passou. Eu não. Climão. Mas ela é linda e ficou mais triste por eu não ter passado do que por ela ter passado. Sério, muito linda gente.

sérgio, meu prof de geografia com o biscoito que eu dei pra ele, ele é uma fi-gu-ra (L)

No mesmo final de semana da viagem, quem fez o ENEM tinha que se inscrever no site do SISU pra concorrer a uma vaga. Eu, e meus miguxos Vanessa e Matheus fomos pra uma Lan House umas 3 vezes pra fazer isso e o site tava totalmente interditado. Sério Fernando Hassad, 6 milhões de pessoas fazem uma prova e tem o prazo de dois dias pra acessar um site que só pode ter 200 mil acessos simultâneos, TU ACHA QUE ISSO IA DAR CERTO? NÃO RESPONDA que é melhor. Ok, depois de muitas horas conseguimos. Concorrência na Unirio tava braba. (dava pra ver a concorrência no site também – mas só depois de horas tentando). E essas preocupações todas no meio da linda praia do Peró em Cabo Frio, pleno Janeiro de verão carioca. Ó céus.

trilha. EU DISSE que tinha bicho selvagem nessa história, pena q não aparece na foto

Ah, sim. Na Unirio minha única opção era Administração. E nessa altura do campeonato (antes fosse mesmo campeonato de can-can né) eu já tinha decidido: Contábeis. Justo nesse ano foi aprovado a lei que diz que não é preciso ter faculdade de Jornalismo pra ser um jornalista. O que muito me ajudou a eliminar essa opção nas escolhas que eu tinha.

Mas então, eu já estava pensando em que pré vestibular eu ia estudar em 2010 pra tentar de novo, quando… tcharam, a nota da UFRJ sai e no mesmo dia um ser abençoado faz uma classificação de todos os cursos no excel e posta na comunidade do orkut. 180 vagas. Minha posição era a 200. RECLASSIFICAÇÃO! Nunca pensei tanto numa palavra durante duas semanas. 15 dias depois, no dia do aniversário do meu pai, vejo minha aprovação. Uma das primeiras coisas que fiz além de tomar banho e sentir que tinha tirado um peso enorme das costas, foi ir ao colégio pegar meus documentos e contar a notícia pros meus professores lindos que tanto me aturaram! Sério, eles são lindos. Todos muito especiais.

dinheiro pra festa de formatura. viu, pq vcs acham q eu disse q os professores eram lindos pq eles contribuiram mt com nossas rifas e o prof de fisica ainda fez desconto no sitio dele pra gente deixo aqui meu obrigado

Aí a história termina feliz. E eu to aqui esperando minhas aulas começarem em agosto. Enquanto isso vocês vão acompanhando no twitter, aqui no blog e afins esse meu tempo de ócio. Tô topando ir ao banco com meu pai, ir ao médico com minha vó, ir em rodízio de pizza no fundão segunda à tarde e até inauguração de supermercado, quem souber só avisar.

Obs: fazer a prova do ENEM no Rio de Janeiro, do lado de uma favela barulhenta no dia da final do Campeonato Brasileiro, o qual o flamengo foi campeão, olha… foi dose, viu?

hehehe oi?

DEIXEU ME MAQUIÁ

DEIXEU ME MAQUIÁ

OI AMIGUINHOS

 

Por quê?

É quando você para, mas está fazendo várias coisas. Aquele momento que você tá no computador em 4 sites, tá escutando música, planejando sair e comendo um biscoitinho, ou tomando um café… tudo ao mesmo tempo. E pensando? Bom, pensando a gente sempre está. Mas falo de parar pra pensar nisso tudo que você está fazendo.

Mas… O que significa exatamente parar?!

Creio que é algo ligado a questionar. Questionar sempre foi uma coisa tão útil nessa vida, no mundo. Foi questionando que muitos fizeram descobertas, frases geniais surgiram, caminhos foram abertos.

E às vezes questionamos tanta coisa. Questionamos porque aquela pessoa tá fazendo sucesso, porque aquela novela repetitiva ainda dá audiência, porque o Brasil elegeu alguém com formação escolar incompleta pra presidente. E olha, nem to dizendo que isso é errado.

Errado é só questionar isso e esquecer da gente, sabe? Ou no mínimo é estranho. E não julgue isso como algo ó: misterioso.

Vamos lá pros princípios, por exemplo. Todos têm. E como chegamos a tê-los? É quase uma obrigação você ter mil opiniões nesse mundo com tanta informação – tanta que falar isso se torna até clichê. Então me deixe entender: os princípios vêm de opiniões, que foram filtradas por críticas e informações? E estão aptos a mudá-los? Quem sabe. Vamos viver, questionar e procurar encontrar respostas. E que “procurar encontrar respostas” não seja um peso, e sim um alívio.

Comecei a escrever esse texto de forma meio aleatória, né? É porque eu realmente tava fazendo aquilo tudo ao mesmo tempo e me perguntei por que não estava escrevendo um texto sobre o que eu tava pensando: isso, que vocês acabaram de ler.

11 tipos de pessoas que vão ao Shopping

O Shopping teoricamente é um lugar público,  e por isso, acho que acaba sendo um reflexo da sociedade, pois é onde encontramos diversos tipos de pessoas, e eu quis descrever 11 desses tipos aqui.

Emos – Bom, pra que não sabe emos, resumindo, são aquelas pessoas que costumam andar de preto, roupas coladas, os garotos costumam alisar o cabelo e usar franjas, têm tendência a serem depressivos, têm fama de cortar o próprio pulso, e talvez por isso, não costumam sorrir. Essas pessoas sempre andam em grupos nos shoppings, pois sabem que naquele grupo eles são aceitos. Eles chamam muita atenção devido às suas bizarras, respectivas e repetitivas aparências.

Aposentados e pensionistas do INSS – Pra inveja geral da nação, essas pessoas costumam ir ao shopping segunda de manhã, ou segunda a tarde, (menos a noite, porque são fãs de Jornal Nacional e dão Boa Noite pro William Bonner) e geralmente são aqueles shoppings que tem supermercado, porque aí eles aproveitam pra tomar o café da manhã que tem lá e comprar aquele biscoito maisena que não pode faltar. A maioria que compõe o grupo são pessoas da terceira idade que vão se chocar caso um dia encontrem o grupo emo andando por aí comprando all star.

Madames – São aquelas mulheres que freqüentam aquele salão dentro do shopping pelo menos uma vez por semana, nem que seja só pra lavar o cabelo com Kerastase e fofocar sobre a novela das 8. Aproveitam pra olhar a moda nas vitrines e sempre compram uma blusinha ou um sapato que estavam precisando muito. Elas geralmente vão embora sozinhas e costumam ter muito cuidado na hora de pegar na chave do carro, pois as unhas estão com esmalte fresco.

Estudantes – Pelo menos aqui no Rio, quarta feira o cinema é mais barato. Estudante geralmente já é ferrado de dinheiro e vive reclamando da escola. O que faz com que eles lotem o cinema nas quarta feiras, pagando meia num dia de promoção. Claro, não são todos, a maioria são aqueles que não querem nada, a minoria vai de vez em quando e todos vão nas férias, promovendo filas maiores que as do caixa da C&A em época de natal.

Cults – Cults são aquelas pessoas antenadinhas, que escutam Bjork e não fingem ler Clarice Lispector, marcam com os amigos pra tomar um café e falar mal do capitalismo e também vão às livrarias, escolhem um livro pra ler até metade justamente dentro da livraria naquela parte que tem mesinhas e café (cults adoram café ou mate) e no final das contas não compram o livro que leram, mas compram uns três que geralmente abordam críticas.

Playboys ou playssons – São aqueles que adoram zoar com a cara dos emos. Eles também andam em bando e infelizmente escutam música, ou melhor, “funk neurótico” num volume bem alto e o que é pior, com som distorcido de celular. Eles usam tênis pão-doce e blusa da Quicksilver e tentam azarar as gatinhas na faixa etária de 12-15 anos. Importante ressaltar que eles se chamam de “leks”.

Família – É difícil ver uma família hoje em dia andando junta no shopping por que: os membros do sexo feminino querem ver todas as lojas e promoções, provar todos os vestidos e calças jeans, e os membros do sexo masculino ficam impacientes e isso gera fome, o que faz eles irem ao restaurante mais perto para comer.

Artistas e o pessoal da mídia – Geralmente estes só ficam de 40 minutos à 1 hora no shopping. Pois é o tempo suficiente para irem à lojas boas e grifes e gastar  muitos salários mínimos + muitos tickets-refeição, ou é o tempo suficiente de encontrar amigos num restaurante numa terça feira para almoçar, tipo Carolina Dieckman e Cláudia Gimenez. Também é o tempo suficiente para eles serem fotografados pelos paparazzis e estarem no site ego 15 minutos após saírem do shopping. Obs: não tente encontrá-los no Norte Shopping.

Pessoas que vão ao shopping em dezembro – Como a desigualdade social no nosso país é grande, existem muitas pessoas que possuem baixa renda e só vão ao shopping no final do ano, pois é quando recebem o décimo terceiro. Vão as Casas Bahia comprar sofá novo, compram latas de tinta pra pintar a casa, árvore de natal e pisca-pisca e também compram presentes pra família e o presente do amigo oculto de reveillon.

Casais – Sábado à noite eles costumam fazer filas e lotar o cinema e os restaurantes, pois a maioria não quer ficar em casa vendo Zorra Total e comendo pizza da Sadia. Sábado à tarde eles também vão ao shopping para comprar aquele presente pra prima, sobrinha, tia, sogra, que vai fazer aniversário mais tarde e comemorar na laje com um churrasquinho esperto.

Trabalhadores – Alguns preferem gastar o dinheiro com cerveja sexta à noite, tomando conta dos barzinhos em shoppings e ficando bêbado a ponto de aplaudir aquele cara que ta cantando música ao vivo mal pra caramba. Alguns trabalham tanto que têm pena de gastar muito dinheiro na conta de luz ligando o ar quando está muito quente, aí vão para o shopping aproveitar o ar condicionado de lá.

Acho até que deve existir mais um grupo de pessoa que eu não relatei aqui, mas é isso aí.

BBB e você

Primeiramente quero deixar claro que esse texto não é daqueles que te dá mil e um motivos pra não assistir o programa e mil e dois motivos pra achar que o Bial não deveria ser o apresentador. Eu mesmo assisto, me divirto e até torço, o que eu não faço é ficar votando.

Mas é que é engraçado ver as coisas que acontecem antes, durante e após o BBB.

Uma semana antes do programa eles divulgam a foto dos selecionados e um perfil no site. Aí aquele povo que é fã mesmo, trata logo de fazer uma comunidade no orkut pra cada participante, fora aquela comunidade com o número da edição do programa, que é feita meses antes e tem mais de 500 mil membros antes do programa começar.

Aí o programa começa, e na primeira semana o Brasil julga cada um que está ali dentro, de forma certa ou errada, não importa.

Hoje em dia, com o twitter aflorado, tem gente que faz um perfil só pra cobrir os fatos que acontecem lá dentro, tem gente que fica com raiva e xinga o possível em 140 caracteres, o Boninho posta dizendo o que vai acontecer e desmente boatos, uma ex-BBB é eliminada e em seguida, posta link pirata de PPV, e resumindo, às 22h a timeline do povo fica cheia de #BBB.

Também têm os blogs que são criados por causa do programa, aqueles que levam a sério e fazem textos diariamente tentando entender o psicológico do pessoal que está lá dentro da casa. Têm aqueles que se aproveitam de qualquer pérola dos brothers, tiram foto da dentista com pão no meio do dente, descobrem as roupas bregas que fulaninha usava através do flogão antigo dela e por aí vai. E tem aqueles blogs que fazem o chamado live, com comentários engraçadíssimos bem na hora do programa.

E tem o povo que se descabela, faz a conta do telefone vir mais alta de tanto votar, chora quando o preferido é eliminado, quebra a cabeça pra ver quem é que vai pro paredão e até deixa de sair de noite pra ficar em casa assistindo a casa mais vigiada do Brasil. Também tem a mulher do diretor do programa toda trabalhada na Carmen Steffens e Loreal Paris fazendo sem gracinha o merchan da Ipanema e Nielly Gold. E o Faustão e a Ana Maria Braga, que acabam sendo obrigados a ouvir em seus programas de TV, o pessoal do paredão choramingar “aqui fora”.

E o povo que reclama disso tudo? Diz que é um absurdo, é apelativo, é perda de tempo, é ridículo, influencia as pessoas negativamente e diz que “O Brasil é isso aí, não tem cultura!”. Alguns falam isso em janeiro, e em fevereiro já estão acompanhando, outros falam isso e vão até o fim com o pensamento.

Enfim, respeito mesmo quem não vê, mas não acredito que ninguém perca tempo com outras coisas inúteis, engraçadas e ‘não-cults’ nessa TV brasileira.

Acredito que a questão principal é que as pessoas no geral, até mesmo as que não gostam do programa, curtem tomar conta da vida alheia, é um instinto quase universal. Devemos sempre moderar. E nesse caso nem digo como um mal não, quem assiste ao programa espera por aquele que vai ter as melhores atitudes, ou melhor, as mais coerentes, pra ganhar um milhão e meio.

É de certa forma um reflexo da sociedade, você é observado e julgado o tempo todo e acaba observando, julgando ou tirando conclusões como uma forma de defesa. E da mesma forma que como na ‘vida real’ muita gente exagera nesse quesito, sei que tem muita gente que também exagera na hora de acompanhar um programa de TV, o qual tem o poder de interagir com o público, e sim, acaba ficando bitolado.

Mas voltando… Acaba o programa e somente uma pessoa leva o prêmio, as outras até ganham carro, óculos, tênis, skate, tatuagem, pingüim da Ponto Frio e sei lá mais o que. Creio que nem o Bial que fica com o ouvido doendo de tanto que falam dele, até da meia que ele usa, não chega a ganhar um salário alto assim, será? Então, a Globo volta a passar A Grande Família, Casseta & Planeta, (esse ano teve até Emoções Sertanejas) os exs-BBBs assinam contrato com a Playboy, Paparazzo, Revista Vip e até a Capricho.

Porém, uma coisa é certa, uma hora eles param de fazer presença vip em eventos, o Brasil vai esquecendo até o nome deles e a gente pode até ter se divertido, mas no final o povo checa a conta no banco e está igual, uma pena, né Bial?

Obs rápida…

Todos esses textos abaixo (os de março) foram escritos durante o período Julho-Fevereiro de 2009-2010 e postados no meu antigo blog http://www.paulabruno.wordpress.com. Porém, eu quis mudar o endereço e fiz esse outro. Achei que seria bom que os outros textos estivessem aqui também. E até alguns comentários copiei e colei pra ficar registrado.🙂

Meia-noite

Luz apagada
Teto
Quatro paredes
Ontem e hoje
Concreto e abstrato
Deixa eu pensar
No amanhã

Ainda bem que cabelo cresce

Essa história começa na sala de aula do meu primário. É, fazem uns aninhos. Tempo bom, em que todos ficavam pouco tempo na escola e metade desse tempo era diversão. Uma das diversões era brincar de massinha.
Certa vez, quando os alunos estavam prestes a ir embora, porém envolvidos com seus respectivos bonecos, florezinhas ou formas geométricas de massinha, eu olhei para o lado e vi um coleguinha colocando sua obra de arte na cabeça. Não hesitei em imitá-lo. Grande idéia a que eu tive! E não demorou muito para eu me surpreender com tal atitude. Aquela massa enorme não desgrudava do meu cabelo. Mas do dele, desgrudava sim. Como pôde? E agora? O que fazer? Apenas esperar a mamãe chegar e chorar em seu ombro. Ela, nervosa com a situação, me levou até a casa da vovó, que tinha um salão de beleza e poderia ajudar a resolver o problema.
Evidente que uma parte do meu brinquedinho moldável conseguiu sair de minhas madeixas. Mas o difícil foi tirar os pequenos restos, colados fios a fios, como um penteado de gel. A solução mais radical teve que ser tomada: a de cortar a minha linda franja. Fiquei com um ziguezague na testa. Não por causa da minha avó, que sempre foi uma excelente cabeleireira, mas devido à situação embaraçosa, literalmente.
Depois disso eu comprei um Super Trunfo da Audi e fiz meus companheiros comprarem uns de outros tipos também, pra nós termos o que fazer quando a Tia Beth falasse: “hora de brincar de massinha”. O legal foi todos se unirem ao meu trauma.

Alguns anos se passam. Papai e mamãe estavam planejando uma festa para sua filhinha aqui. E mamãe, muito detalhista e cuidadosa, quis deixar o cabelinho da Paulinha crescer, para cortar só quando estivesse próximo a festa. E estava chegando o dia de ir ao salão da vovó, quando a Angélica (uma moça que trabalhava lá em casa), decidiu cortar a minha franja (sim, só a franja). Eu, inocente, deixei. E para dizer a verdade eu nem liguei muito para tal atitude bondosa. Mas mamãe, quando chegou do trabalho e olhou para mim, tomou um susto. Imagina por quê? Ficou uma coisa linda mesmo. Que azar. Mas pelo menos papai me achou linda de verdade nas fotos do aniversário. Fiquei mais aliviada.

Os anos novamente se passaram e certo dia, eu tive que tirar foto 3×4 para a carteirinha do último ano do colégio. Eu estava cismada com meu cabelo, que estava precisando muito de um corte. A minha franja estava grande e eu gosto dela de um tamanho assim, certinho. A sorte é que o lugar que tira foto é perto de um salão que eu já fui uma vez para fazer uns reflexos para mudar o visual, sabe como é. Então, eu passaria neste salão, pediria para o Jorge aparar minha franja, apenas por cinco reais. Eu disse sorte? Valeu Jorge, adorei. Tive que fingir. Mas que raiva! O que foi que ele fez? Só sei que pegou a tesoura de qualquer jeito, uns dois dedos pra segurar o cabelo e pronto. Que coisa torta, horrível e pequena, como eu odiei. Não queria contar essa parte, mas é que eu sou muito sensível e chorei. E era pra ter chorado mais quando vi a foto que saiu. Pois é, o resultado foi que eu pedi ajuda a um amigo para retirar a foto já plastificada da carteirinha do ano passado para servir para a carteirinha desse ano. Tarefa difícil, mas deu certo.
O pior é que foram umas 5 fotos iguais que eu não usei pra nada e acabei guardando na minha carteira, talvez por pena do dinheiro do meu pai.

Outro certo dia, em uma das vezes que eu fui ao Café com Sonho, (uma lanchonete lá na Gama Filho, onde eu sempre comia) deixei cair o plástico que tinha aquelas benditas 5 fotos. Algum ser deve ter achado o tesouro depois de eu já ter ido embora, e dado para o gerente da loja guardar. Geralmente quando isso acontece, a foto, identidade, seja lá o objeto perdido que for, fica a mostra para todos que visitam o lugar, com o objetivo de o dono aparecer. Por discrepância do destino, não é que fiquei uns dias comendo em outros lugares, levando pãezinhos saudáveis para o colégio e consequentemente, sem ir ao Café com Sonho? Sim. E quando finalmente apareci lá, a moça do caixa disse para mim: “olha, acho que isto aqui é seu.” Tadinha, já devia estar cansada de olhar aquilo. Eu nem tinha sentido falta da perda. Fiquei assustada e disse: “não acredito, que coisa horrível, hahahal!”, antes mesmo de agradecer a atitude bondosa daquela jovem.
Ainda tive o constrangimento de ouvir da coordenadora do colégio: “Seu retrato está lá na lanchonete faz um tempo, hein. Você viu? Eu esqueci de te falar. Já pegou?”.

Por essas e outras que eu devo ter a mania de ajeitar a franja o tempo todo. Muitos acham irritante, mas quem sabe não é psicológico?

Confissão

Eu não falei
O quanto eu quero bem você
Só deixei entre vírgulas
O quanto eu quero você, bem

Lição de hoje

Ela olhava as enxadas junto à plantação vizinha, a costura da mãe, os calos no dedo do irmão, o reflexo sofrido no espelho quebrado pendurado no corredor entre dois cômodos e embrulhava esse cotidiano em pensamentos solitários e fortes. A certeza de que podia ir além talvez fosse o mais forte.
A mocinha moradora do campo esforçava-se desde que viu fé nos seus próprios olhos. E de pequena idade, ela estava começando a acreditar.
Simultaneamente a isto, a esperança sussurrava em seu ouvido: “Não desista da certeza de felicidade que está presente em sonhos futuros”. Depois dessa consciência de tempo foi até fácil aprender pretérito, presente e futuro.
Ter conseguido chegar ao último ano colegial já era raridade no pequeno bairro. Mas contentar-se com isso não a faria chegar ao contentamento maior: o de estudar na Federal da cidade metropolitana.
Conseguira. A antecedência a vitória foi regada as xerox’s sempre que possível e anotações até em papel de pão, que fosse. Muito suor e dedicação.
Os dias acabaram sendo monótonos nessa vida de passa trem, ônibus e o que a transportasse estava com ela a caminho. A distância realmente complicava a rotina. O que não se complicavam, eram os sonhos. Ai deles. Estavam lado a lado da inseparável determinação.
A paixão por literatura e português era tão clichê em sua vida, quanto ler declarações exageradas de amor nas poesias do século XVIII.
Abrindo parênteses, eu acho que sonhos são tão individuais que o adjetivo de grande ou pequeno só pode ser dado a eles por quem os têm.
Eis o grande sonho em questão (a sonhadora me permitiu adjetivar): Dar aulas.
Tinha realmente a certeza de que ensinaria aos alunos mais do que falar e escrever a língua de origem. Ensinaria mil coisas de forma positiva, claro. Até porque, ela era tão otimista que o único negativo na sua vida era algumas contas endividadas.
Muitas realizações antes e depois dos 4 anos de estudo universitários. Bastantes experiências acumuladas, além do perfeito domínio da Língua a que falava Carlos Drummond, Vinícius de Moraes e Clarice Lispector. Como ama o Modernismo.
Porém, nunca esquecera da família. Não gostava de matemática, mas aprendeu a dividir tão bem que os pais agradeciam com carinhos em dobro. É claro que sua vida estabilizou-se a ponto de poder pagar as dívidas, comprar casa, ajudar os pais e, encontrar o amor da vida também é estabilidade. Sim, no seu terceiro ano universitário um companheiro entrara na sua vida para não sair mais. A união de ambos trouxe uma união ainda maior na casa, com a chegada de dois filhos ansiosos por continuar o sonho.
A professora aqui descrita encanta tanto seus alunos, que estes, foram motivados pelo aprendizado, a narrar essa lição de vida.